Policia

Operação do MP em Minas, SP e Bahia combate furto de combustível em dutos da Petrobras e prende 11

Entre os detidos estão donos de empresas de transporte e postos de gasolina; prejuízo estimado à Petrobras é de aproximadamente R$ 3,8 milhões em cinco meses.

Onze pessoas foram presas em Minas Gerais, no interior de São Paulo e na Bahia suspeitas de participar de um esquema de furto e venda de gasolina da Petrobras. As prisões, de acordo com o promotor Luiz Felipe Sheib, foram na manhã desta quinta-feira (30) durante a “Operação Bandeira Suja” realizada pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) do Ministério Público de Minas Gerais (MPMG), com apoio dos Gaecos de São Paulo e da Bahia.

A estimativa é que 40 mil litros de gasolina (sem mistura) estavam sendo furtados por semana. O prejuízo estimado à Petrobras em cinco meses de investigação é de R$ 3,8 milhões.

De acordo com o Gaeco, foram apreendidos veículos de luxo, caminhões utilizados no transporte do combustível furtado e uma aeronave, cujo valor é de aproximadamente R$ 1 milhão.

Avião avaliado em R$ 1 milhão foi apreendido com um dos detidos (Foto: Polícia Militar de Minas Gerais/Divulgação)

Avião avaliado em R$ 1 milhão foi apreendido com um dos detidos (Foto: Polícia Militar de Minas Gerais/Divulgação)

As prisões

A “Operação Bandeira Suja” teve prisões em Paulínia, Cosmópolis e Artur Nogueira, todas no interior de São Paulo, em Mário Campos, Contagem e São Lourenço, em Minas.

Um dos chefes da organização criminosa foi preso em um resort de luxo na Bahia. De acordo com o Ministério Público, ele já havia sido preso outras duas vezes em São Paulo por furto. Ele é empresário, dono de duas empresas de transporte em Paulínia. Também foram detidos dois donos de uma rede de cinco postos de combustível do Sul de Minas.Um dos integrantes da organização era ex-funcionário da Petrobras, conforme informou o Ministério Público. “Nós identificamos que alguns desses funcionários já trabalharam na Petrobras, inclusive no estado de São Paulo, e um desses funcionários trabalhava atualmente numa empresa que recebe combustível da Petrobras e ele detém conhecimento de mecânica. Daí a capacidade organizacional desse grupo”, destacou o promotor.

O furto

Em Minas, o combustível era furtado na Refinaria Gabriel Passos (Regap), em Betim, na Região Metropolitana de Belo Horizonte. A suspeita é de que uma organização criminosa com ramificação interestadual comandava o esquema.

Combustível era roubado da refinaria da Petrobras (Foto: Ministério Público de Minas Gerais/Divulgação)

Combustível era roubado da refinaria da Petrobras (Foto: Ministério Público de Minas Gerais/Divulgação)

Segundo o Gaeco, a organização criminosa furtava a gasolina da Regap por meio de dutos que foram instalados estrategicamente. O promotor explicou que os criminosos usavam uma técnica conhecida como trepanação. “Na prática, ele identificam onde passam os dutos da refinaria, alugam algum imóvel ali perto e instalam válvulas diretamente nos dutos da Petrobras e ali fazem a subtração do combustível”, disse Luiz Felipe Sheib.

O combustível era armazenado em caminhões-tanque e transportado para o Sul de Minas Gerais, sendo vendido posteriormente por uma rede de postos nas cidades de São Lourenço, Pouso Alegre e Elói Mendes.

“Eles tinham um sistema de segurança bastante sofisticado. Tanto na chácara onde era realizada a trepanação e no galpão obde eles armazenavam o combustível até a vinda do caminhão era todo monitorado com câmeras de segurança e à distância”, disse o promotor Luiz Felipe Sheib.

Postos envolvidos no esquema tiveram as bombas lacradas pela polícia (Foto: Polícia Militar/Divulgação)

Postos envolvidos no esquema tiveram as bombas lacradas pela polícia (Foto: Polícia Militar/Divulgação)

A investigação

As investigações, que contaram com o trabalho do setor de inteligência do MPMG, começaram em março deste ano.

Os policiais militares que atuam no Gaeco descobriram desde o furto na Regap até a venda da gasolina no Sul de Minas Gerais.

O combustível vendido no Sul de Minas será alvo de fiscalização do Procon-MG e da Receita Estadual. O foco do Procon-MG é a qualidade do combustível vendido nos postos onde a gasolina furtada era comercializada e o possível prejuízo causado aos demais postos de combustíveis.

De acordo com a Receita Estadual, a estimativa do prejuízo com sonegação ao cofres de Minas Gerais é de R$ 1 milhão.

Risco

O superintendente da Polícia Técnico-Científica, Roberto Simão, disse que a trepanação, técnica usada pelos criminosos para roubar os combustíveis, pode gerar explosões. Ele disse que a corporação vai fazer análises para saber se houve algum tipo de contaminação de mananciais e lençóis freáticos.

Imagem da operação realizada pelo Gaeco nesta quinta-feira (Foto: Ministério Público de Minas/Assessoria de Imprensa)

Imagem da operação realizada pelo Gaeco nesta quinta-feira (Foto: Ministério Público de Minas/Assessoria de Imprensa)

Fonte: G1 g1.globo.com

Related Articles

Leave a Reply

Your email address will not be published. Required fields are marked *

Close