Economia

Crise faz lojas fechadas serem cenário comum no hipercentro

Alto custo de aluguel, concorrência com produtos chineses e queda nas vendas assolam comerciantes

Já é praticamente impossível andar pelas ruas do hipercentro de Belo Horizonte e encontrar um quarteirão sem sequer uma loja fechada. Na rua dos Tamoios, entre avenida Afonso Pena e rua da Bahia, das 20 lojas, nove estão com as portas baixadas. Isso, só de um único lado da via. Do outro, nesse mesmo quarteirão, são 11 lojas, sendo duas fechadas. O comerciante Rogério Araújo trabalha no armarinho Xodreck, que está no ponto há 35 anos. De lá, ele perdeu as contas de quantos negócios viu acabar. “Teve lanchonete que virou loja de roupa, mas também não deu certo. Teve Feira Shop e até autoescola, mas tudo foi acabando, principalmente nos últimos dois ou três anos. Nunca vi uma crise desse jeito”, conta.

Do alto de uma experiência de 38 anos como corretor de imóveis comerciais no hipercentro, José Corrêa, 68, também nunca viu nada igual. “Há uns cinco anos, ver uma loja com placa de aluga-se no centro era uma raridade. A gente colocava a placa e, em 15 dias, já tinha alugado. Agora, tem loja vazia há uns três anos. Com a crise, os proprietários foram quebrando e entregando os pontos”, explica.

Segundo Corrêa, os reflexos são diretamente sentidos pelo mercado de locação e venda de imóveis comerciais. “Em alguns casos, tem proprietário baixando o valor do aluguel em até 50%. Mas tem muita gente que quer cobrar muito caro e não consegue alugar”, comenta. Um empresário, que pediu para não ser identificado, contou que tanto é locador como locatário. “Para o dono, o mercado está tão ruim que tem que dar desconto. Para quem quer alugar, é uma boa oportunidade. Eu mesmo consegui baixar de R$ 4.800 para R$ 2.400 o valor de uma lanchonete que aluguei. Já no caso de um bar, estou há três anos sem mexer no preço, para manter o inquilino”, conta.

Na avaliação do presidente da Associação Comercial do Hipercentro, Flávio Fróes, a insistência daqueles que mantêm o aluguel alto é um dos maiores problemas. “Muitos proprietários ainda mantêm patamares de valores quando o comércio estava no auge, o que não se configura nesse momento. Sem contar o valor especulativo, que é mais forte aqui no hipercentro. Isso é apenas um dos fatores que fazem com que as lojas estejam fechando suas portas”, diz. Outro, segundo comerciantes, seria a concorrência com produtos chineses.

Outro fator, na visão dos lojistas, são as ruas visivelmente mais vazias. “As pessoas não estão tendo dinheiro. E tem muito menos gente andando na rua do que antigamente”, observa Araújo. De dez lojas localizadas em um único lado da rua Santos Dumont, entre as ruas Espírito Santo e Bahia, quatro estão fechadas. Nesse caso, em especial, além da falta de consumidor e de dinheiro para girar a economia, os comerciantes lamentam os impactos sofridos pelas obras do Move.

McDonald’s decide fechar

Após quase três décadas no cruzamento das ruas Rio de Janeiro e dos Goitacazes, o McDonald’s fechou no ano passado. Segundo a assessoria de imprensa, os motivos foram o alto custo do aluguel da loja e o fato de a rede ter outros dois restaurantes muito próximos, um no Shopping Cidade, a um quarteirão da loja que fechou, e outro na praça Sete. A mudança de perfil da região nos últimos anos também contribuiu.

Fonte: O Tempo www.otempo.com.br

Related Articles

Leave a Reply

Your email address will not be published. Required fields are marked *

Close